quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

TOP 30 PIORES PROGRAMAS DA TELEVISÃO BRASILEIRA

Já faz algum tempo que percebo uma constante, não só em mim como na maioria das pessoas que eu conheço que ainda possuem um pingo de decência, razão, senso de ridículo e pensamentos coerentes - nós, seres pensantes, estamos abandonando a televisão. Este eletrodoméstico que, não muitos anos atrás, já foi munido de graça e magia, hoje não passa de um instrumento de emburrecimento da massa.

Domando o povo indolente e preguiçoso como o verdadeiro Gado que é, os produtores de programas parecem ter algum pacto com forças superiores, invisíveis, que criam "padrões" para a população, e programas direcionados para esses mesmos "padrões". A televisão criou os seguintes estereótipos, e seguindo os padrões, os seguintes tipos de programas:

-Bebês e Crianças: Povo burro é facilmente manipulável, e que idade é melhor do que a infância para começar o processo de emburrecimento? Com os Programas de Emburrecimento Infanto-Juvenil, as emissoras de TV buscam diminuir o QI médio da população para confortáveis 2 dígitos.

-Adolescentes e Jovens: A idade onde você já é burro por natureza. Você começa a beber, a dirigir, e a se interessar emocionalmente por outras pessoas. A TV cria programas que fazem com que essa faixa etária tenha uma falsa sensação de segurança e inteligência, ao mesmo tempo que moldam seu caráter, transformando-os em débeis mentais.

-Adultos do Sexo Masculino: Programas de esporte (porque todo homem gosta de futebol) e humor banal fazem com que o cérebro dos adultos de nossa geração fique confortavelmente adormecido.

-Adultos do Sexo Feminino: Direcionados para a mulher "do lar", programas de fofocas, de utilidades domésticas, novelas e "de animais" fazem com que a mulher adulta nunca deixe o seu merecido lugar - a cozinha.

-Idosos: A televisão de Domingo é inteiramente direcionada para esse público. Pessoas de idade não possuem, em geral, muitas coisas com o que se preocupar, e a televisão de domingo é um acelerador do processo de envelhecimento cerebral. E nada me tira da cabeça que há mensagens subliminares nestes programas, visando também o emburrecimento, para que os idosos absorvam-nas enquanto dormem no sofá.

Sem mais delongas, compilarei e comentarei aqui uma pequena resenha do que eu acredito que sejam os 30 piores programas da TV brasileira:

30 - Ben 10

Ben 10 faz parte de uma nova geração de desenhos animados, criados pela Cartoon Network depois que desenhos inteligentes como M.E.G.A.S. XLR foram tirados do ar por falta de audiência. Neste desenho, um moleque (Benjamin - BEN) tem 10 anos (haha trocadilho!) e acha um relógio espacial (...) que permite a ele se transformar em 10 (8D) ou mais (...) alienígenas. Instantaneamente, ele se torna um super-herói, e ninguém no mundo vê nada de errado com um ET gigantesco de 4 braços correndo pela cidade carregando 1 vaca em cada ombro. Para completar a desgraça, piadas e trocadilhos horríveis a cada 0.5 segundos colocam Ben 10 no piso dessa lista.

29 - Multishow em Geral

A grade de programas da emissora Multishow, filiada agora da Globo, é direcionada especialmente para o público jovem. Portanto, espere aqui por programas de músicas com clipes de black music legendados (...), o programa TRIBOS - que visa subpadronizar essa categoria, mostrando para os jovens vários grupos legais de pessoas e estimulando-os a procurar 'a sua tribo', e o famigerado "Circo do Edgar", uma versão 'crapificada' do antigo "Programa Livre" do Serginho Groismann, onde o ex-VJ Edgar entrevista e brinca (=_=) com convidados e uma platéia de uns 10 boçais.

28 - Márcia Goldsmith

Há alguns anos atrás, tínhamos o Programa do Ratinho, que obrigatoriamente, todo dia, trazia-nos a diversão de ver a abertura de um Exame de DNA no palco. Eu sempre torcia para que o exame desse negativo, para ver a cara de CU das vagabundas que iam no programa; grande maioria delas fazendo parte do típico grupo populacional "quero engravidar pra ganhar pensão e não ter que trabalhar o resto da vida". ¬¬
Márcia hoje possui um programa que é um remanescente dessa era, todo dia com algum caso exdrúxulo, para colocar alguém no detector de mentiras.

27 - Will and Grace

Pouca coisa é mais odiosa do que esse seriado. Além de enaltecer algo que deveria ser uma particularidade (o homossexualismo - eu não sou contra homossexuais, apenas acho que esse tipo de preferência deveria ser mantida no âmbito particular de sua vida, e não ser exibido aos 4 ventos), consegue ao mesmo tempo RIDICULARIZAR o mesmo grupo em questão.

26 - Planeta Xuxa / Xuxa Park

Eu cresci vendo o Show da Xuxa. Na época (lá por 1988, 20 anos atrás) o Xou da Xuxa era um programa com algumas brincadeiras e muitos desenhos que traziam a história de heróis com moral e bons costumes, como He-man e os Smurfs. No final de cada história do He-man, ele ainda vinha até a tela e lhe dava um conselho ético. Hoje em dia, o Xuxa Park / Planeta Xuxa é uma tentativa frustrada de tentar deixar aquela múmia (a própria Xuxa) ganhando dinheiro da Rede Globo. Jogos cada vez mais imbecis, uma Xuxa ficando cada vez mais gagá e tentando parecer 'menina', e um gênero de programa obsoleto tentando se modernizar fazem deste programa um frankenstein televisivo. E para melhorar, a Xuxa faz questão que sua filha (que nasceu sem cu), a Sasha (nome de cachorro), participe dos programas.

25 - Beth a Feia / Novelas Mexicanas em Geral

Novelas mexicanas são odiosas. A interpretação patética dos atores, a trilha sonora ridícula, as tramas mal-elaboradas e os nomes compostos dos protagonistas (como, por exemplo, Rodolfo Manoel, Ricardo Felipe ou Eduardo Marcos) criam um ambiente de emburrecimento como pouco se vê. Para piorar, enquanto uma 'dona de casa' está assistindo uma novela dessas, que passa à tarde, ela está deixando de lado suas tarefas, e com o passar do tempo, além da casa ficar asquerosa, ela começa a ver intrigas em todo lugar, criando uma nociva paranóia que acaba por destruir sua família e amizades.

24 - High School Musical

O único motivo que deixa a série High School Musical na 24a. colocação, e não no Top 3, é que a série é composta de "apenas" 3 filmes, sendo portanto, curta em relação a programas como Domingão do Faustão, que estreou em 1989 e nos tortura há quase 20 anos. Mas o conteúdo da série é tão ruim que não citá-la aqui seria uma heresia. High School Musical mostra à crianças e jovens uma vida utópica nos Estados Unidos, onde tudo é perfeito, a única preocupação na escola é ser popular, e todos sabem dançar - e o fazem todo o tempo. Afinal, a vida é um grande musical.

Devo lembrar que na MINHA época de "high school" eu era perseguido por 120 travecos em frenesi uma vez por ano.

23 - Mais Você (Ana Maria Braga)

Como meu amigo Loner, do blog "Produtos do Tédio", já mencionou, assistir Ana Maria Braga é envenenar seu cérebro. Com um fantoche asqueroso na forma de um papagaio, que conta piadas que não nos fazem nem esboçar um leve sorriso, receitas entrelaçadas com reportagens ridículas, e as opiniões da acéfala Ana Maria Braga, o programa enfia um prego na tampa do caixão da esperança das donas de casa serem algo mais da vida.

22 - Programas Infantis da Discovery Kids (Barney / Teletubbies)

Esses programas deveriam ser proibidos, principalmente os dois supracitados. Quando eu era pequeno, como eu disse acima, criança assistia He-man, Duck Tales, ou Smurfs. Hoje em dia crianças assistem Teletubbies e Barney o Dinossauro Gay. Bonecos efeminados, que não param de falar em amor e alegria, repetem frases incansavelmente, dançam ao som de músicas tão doces que fariam um diabético ter necrose do saco são a receita para esses programas. Eu tenho a esperança de que no futuro, descubram que estes programas são danosos às psiquês das crianças, e os tirem do ar. Caso isso não aconteça até que eu tenha filhos, seguirei o exemplo de meu amigo Raizen: meus filhos vão assistir programas da TV Cultura.

21 - MTV

Mais uma emissora voltada única e exclusivamente para o público jovem, a MTV tem apenas UM quadro que se salva - Hermes e Renato, um besteirol que em sua simplicidade e ignorância, consegue genuinamente divertir, e tem um pouco de inteligência (por incrível que pareça). Porém, Hermes e Renato sozinhos não são páreo para a onda infeliz de programas horríveis apresentados por VJs horríveis como LÉO MADEIRA e PENÉLOPE; programas que aconselham sobre sexo, sobre clipes de música, sobre o cenário nacional da música, clipes da -ARGH- Pity... tudo nessa emissora me dá medo.

20 - Big Brother Brasil

CORRAM PARA OS ABRIGOS ANTI-BOSTA! A nona edição do Big Brother está no ar, bombardeando-nos com a velha receita de 12 estereótipos "normais" presos em uma mesma casa "normal" por 3 meses. Todo dia tem festa na casa normal, toda semana tem uma prova que vale algum prêmio na casa normal, a casa normal tem um líder, e toda semana alguém vai embora. Fazem parte dos estereótipos a morena burra, loira burra, vagabunda, velha, caipira boladão, afro-brasileiro boladão, alemão boladão, e o gay. Todas as mulheres, assim que saem da casa, já possuem contrato com a Playboy. (exceto a velha). Programas como o Big Brother e as novelas da globo criam a ilusão de que o ser humano "normal" é atlético, bonito e perfeito.

19 - Pokemón

*atenção especial ao LUDICOLO na imagem.
15 temporadas e a desgraça ainda existe. Agora Ash não busca mais ser um mestre pokemon. Bom, ele ainda busca. Mas já teve umas 5 "amigas", não pegou ninguém, e tem várias histórias que se passam com Meowth apenas; quando Ash aparece a equipe rocket costuma ter um tempo de tela de 30 segundos ou menos, mas aparecem invariavelmente em todo episódio. Pensar na série atual de pokemon me faz ter vontade de dar um tiro na minha boca.

18 - Naruto

Pior que os 15 anos de pokemon, só os recentes anos da "febre naruto", o "japonês revoltado" (detecta-se um japonês revoltado em um anime pelo cabelo amarelo) que quer MUITO MUITO MESMO SER UM NINJA. Esse desenho maldito leva kilos e kilos de crianças e jovens a usar bandanas ridículas, e apodrecem a parca noção da realidade que eles possuem, fazendo com que eles ajam de maneira inapropriada em qualquer lugar que se encontrem.

17 - Desenho do desodorante "Axe" (city hunters)

Pior que Naruto, só o desenho patrocinado pelo desodorante Axe. Um cabaço total é encontrado por um velho com tendências homossexuais e seu lacaio crioulo gordo, e levado para sua mansão (...) aonde se torna parte da sociedade secreta LOFT, um grupo de homens que trata as mulheres como lixo e possui uma classificação de dificuldade para comê-las.

16 - Turma do Didi

Entre 1983, quando eu nasci, e 1995, quando os Trapalhões finalmente saíram da grade de exibição da Rede Globo, o programa de Renato Aragão era excelência em humor na televisão brasileira, sendo assistido por crianças, jovens, adultos e idosos alike. Hoje, com a morte de Zacarias e Mussum, e a separação de Dedé Santana e Didi Mocó, Didi recorre a humoristas de péssima qualidade para tentar continuar sua já decadente carreira.

15 - A Praça é Nossa

Carlos Alberto de Nóbrega já contracenou com verdadeiros gênios da comédia brasileira, como Ronald Golias, o Homem do Bumbo e o cara que fazia a Velha Surda. Hoje, com a morte dos bons comediantes brasileiros (que levam consigo o humor brasileiro pro caixão), temos um crescente levante de péssimos humoristas, que surgem lançando fezes aos nossos ouvidos com a cadência de uma metralhadora rotatória. Mas ele é brasileiro e não desiste nunca.

14 - Qualquer programa com a Maísa
Para quem não conhece, essa é a Maísa:

Uma criança feia, mimada, com um sorriso cínico e odioso. Se eu a encontrar um dia, terei que me conter para não chutar sua cara. A Maísa faz parte de uma série de crianças chamadas de "prodígios" que, assim como o Robin, são apenas acessórios de alguém que está saindo lucrando pelas suas costas.

13 - Zorra Total

Infinitamente pior que a Turma do Didi, que possui um (uma falta de) humor inocente, e as bobagens ultrapassadas da Praça é Nossa, o programa Zorra Total conta com um quadro de humoristas que recorrem única e exclusivamente à falta de moral e baixarias para criar o seu 'humor' - são mulheres seminuas, atores sem graça, e humoristas dignos de pena que repetem, semana após semana, os mesmos bordões sem-graça, invadindo nossas casas através de nossos parentes, que depois repetem os bordões para você na hora do almoço, causando ânsia de vômito.

12 - Dedé e o Comando Maluco

Felizmente, a morte de Beto Carrero fez com quem o programa - que era gravado no parque - fosse cancelado, e fez com que Dedé Santana voltasse a trabalhar com Renato Aragão. Mas enquanto durou o programa foi terrível e impiedoso - com personagens como o FAXINILDO, BANANINHA e o SARGENTO DURÃO, e a criança com a risada mais irritante da face da terra (sim, carrera, pior que a risada do HIENA), o programa era uma agressão - vê-lo por 2 minutos era como levar um soco do Maguila.

Aqui tem um trecho do programa:


11 - Berverly Hills 90210 / One Tree Hill

Pior que novela mexicana, só novela americana. Para quem não sabe, BERVERLY HILLS 90210 era conhecido no Brasil, na década de 90, como BARRADOS NO BAILE. One Tree Hill é seu descendente direto. Ambas as séries contam com péssimos atores, péssimas tramas, músicas um pouco melhores que as das novelas mexicanas, mas que contém uma série de mensagens direcionadas à juventude, como "seja popular para ser feliz", tornando o ato de assistí-las infinitamente pior. Pelo menos, dá pra rir com as novelas mexicanas. Com isso aqui, nem isso.

10 - Malhação

"Malhação" estreou em 24 de abril de 1995, como uma novela direcionada a um público mais jovem, que se passava em uma academia - daí o nome do programa. Eventualmente, "Malhação" passou a ser em uma escola, lanchonete, escola, cursinho, e por aí vai, e o nome já não faz mais nenhum sentido. É atualmente a versão tupiniquim de Barrados no Baile, com atores um pouco melhores, mas o triplo de mensagens para adolescentes, que faz com que a sensação de assistir a um capítulo seja semelhante à de ter uma batedeira ligada dentro de sua calota craniana.

09 - Vídeo Show

Pior do que uma novela da rede globo é um programa que explica como uma novela é feita. Na república do meu irmão, eles tinham a televisão ligada a um computador, que a desligava automaticamente quando o programa começava. O programa trata os personagens das novelas como se fossem reais, tornando a ilusão de paranóia das donas de casa mais fortes ainda. E não satisfeitos com esse besteirol infindável, ainda há o quadro da apresentadora Angélica, o VIDEO GAME (trocadilhoooo!!!). Esse bloco é uma competição entre 2 duplas de atores de novela, que têm que responder perguntas e cumprir tarefas relacionadas à toda sorte de programa horrível da emissora.

08 - Bratz

Um desenho animado em 3D que ensina às garotas que ser puta é a boa.

07 - Raul Gil

Estamos chegando perto do final, e aqui a competição fica bem mais pesada. Raul Gil é um senhor de idade que trabalha aos sábados e domingos na Rede Record. Tão egocêntrico que possui um microfone dourado, ele possui na emissora um Show de Calouros, semelhante àquele que Sílvio Santos possuía no final dos anos 80, mas com jurados mais sem-graça (júri sem Pedro de Lara não é júri). Pseudoartistas vão ao palco fazer toda sorte de apresentação, e grande maioria são cantores de música gospel, saídos das igrejas do dono da emissora, o titio Bispo Edir Macedo. Além disso, Raul Gil tem partes do programa onde apresenta artistas-mirim: crianças (que ele provavelmente come nos bastidores) que vão, por exemplo dançar as pouco vulgares (/ironia off) músicas do FUNK CARIOCA. Raul Gil está próximo ao topo da lista de pessoas que eu mataria se pudesse.

06 - Domingão do Faustão

-Há 20 anos Fausto Silva assombra nossas tardes de domingo com seu programa. Se, quando era novidade, já era ruim, agora, 20 anos depois, o programa não possui mais nada a acrescentar (se é que já teve algo, um dia). O apresentador é um boçal, e faz questão de transmitir toda sua boçalidade ao público. Os quadros deveriam ser considerados crime. Os convidados são os mesmos que os do vídeo show, mas com o acréscimo de cantores sertanejos. E agora, de uns anos pra cá, o programa dele é precedido pelo programa igualmente odiável do igualmente odiável LUCIANO HULK, o detentor do maior nariz do mundo.

- * T * O * P * 5 * -

05 - Superpop / Adriana Gimenez

Luciana Gimenez, vulgo "a puta que deu MUITA sorte", é a apresentadora deste programa da RedeTV!, na minha opinião a pior emissora da atualidade. A especialidade do programa da Luciana Gimenez é ofender o público - todo programa, ela leva pessoas de ideais COMPLETAMENTE OPOSTOS, sendo que um deles com certeza vai causar um grande auê no programa, enviando toda sorte de baixaria diretamente para sua casa. A última vez que tive notícias, ela levou no palco o cantor e compositor de funk, Mr. Catra, autor da música CARTÃO DE CRÉDITO (onde na coreografia ele enfia um cartão entre as nádegas da dançarina) e um pastor evangélico.

04 - Os Mutantes

"Heroes" tupiniquim. Esse programa deve ser parte de algum plano malévolo da emissora que o exibe (dá-lhe titio macedo! os x-men são do diabo, mas os seus mutantes são santos, né?) para ridicularizar boas teorias perante o público evangélico, tornando-os mais cegos ainda. Todo tipo de teoria aparece no programa de um jeito que dá raiva de ver, e pena de seus autores. Da última vez que soube, estavam tratando sobre a teoria da Terra Ôca. E, para completar, só o excelentíssimo escalão de atores da Rede Record, tão bons quanto qualquer criança de 4 anos apresentando uma peça no colégio.

03 - Terço Bizantino

Esse vocês provavelmente não conhecem. Programa da REDE VIDA, onde o Padre Marcelo Rossi fica repetindo 5 frases, 10 vezes cada uma, por 30 minutos, em diferentes entonações. Simplesmente uma lavagem cerebral católica.

02 - Domingo Legal

Gugu Liberato já foi considerado um dos gênios da televisão. Seus programas eram inovadores, e quem se lembrar do programa da disputa entre países, deve se lembrar de um dos bom programas que ele apresentou. Porém, há tanto -ou mais- tempo que o Domingão do Faustão, Gugu Liberato começou a apresentar o programa DOMINGO LEGAL, na emissora do Patrão (Silvio Santos). O programa, basicamente, era uma disputa entre 3 celebridades, fossem elas daonde fossem, e contava com diversos quadros. Eventualmente, um dos quadros passou a ser a "Banheira do Gugu", onde 10 sabonetes eram jogados e uma das participantes do lado das mulheres entrava na banheira com um dos homens. Primeiro, o homem tinha que pegar os sabonetes, com a mulher atrapalhando-o. Depois, a mulher tinha que pegá-los, com o homem agarrando-a. Cansei de ler em revistas, na cadeira de espera do dentista, sobre mães reclamando de primos que brincavam com suas filhas de 'banheira do gugu', ou que seus filhos faziam o mesmo com as primas. Eventualmente, o nível do programa do Gugu começou a decair cada vez mais, incluindo a célebre vez em que o ator Jean-Claude Van Damme veio ao programa de calça de moletom e sem cueca, e a Gretchen começou a se esfregar nele. O comentário de Gugu ficaria para sempre nos anais da televisão brasileira:
"-TÁ DURINHOOOOOO!!!!! Ó LÁ GENTIIIIII!!!!"

Só recentemente o programa do Gugu criou um novo quadro, onde ele envia uma família de volta para o nordeste. Todos eles dão o mesmo conselho: "NÃO VENHAM PARA SÃO PAULO, SÃO PAULO É UMA ILUSÃO." Fantástico.

01 - Late Shot, Luíza Mel

E finalmente, chegamos ao verdadeiro câncer da televisão brasileira, esta única pessoa que felizmente deixou de apresentar seus programas e espero que continue assim até que ela desapareça da memória do povo (não deve demorar muito). Luísa Mel é o tipo de pessoa que é perigosa, pois uma celebridade de atitudes radicais perante qualquer tema leva uma multidão de pessoas a agir sem ponderação sobre suas ações, apenas "porque a celebridade X fez ou porque a Y disse". Luísa Mel "é" (entre aspas, mesmo) uma "defensora dos direitos dos animais", ou seja, uma daquelas mal-amadas que você vê por aí espalhando comida pros cães e gatos abandonados da vizinhança comer (que por sinal, é uma atitude bonita, se a o resto da comida não servisse de alimentos para ratos, pombos e baratas, pragas urbanas transmissores de doenças). Luísa Mel apresentava o programa TV Fama durante a tarde, um programa de fofocas, ao lado de Nelson Rubens, outro fofoqueiro de mais renome (que possui, assim como todos os outros fofoqueiros, bordões que o identificam no meio, no seu caso "Eu aumento, mas não invento!" e "Okay, okay, vou destilar o meu veneno!"). Mas não satisfeita em apresentar UM programa emburrecedor, ela apresenta também o LATE SHOW, um programa com coisas sobre animais. Para o telespectador normal, com seu cérebro adormecido pela chuva de ignorância arremessada em sua cara todos os dias, Luísa Mel fazia um programa onde seu salário ia para ONGs de auxílio aos animais; tirava animais das ruas e colocava-os em abrigos; tratava animais doentes; e apresentava "piadinhas" animais em vídeo, como vídeocassetadas do Faustão. Mas para um telespectador que não é tão alienado assim, Luísa Mel é uma vaca cínica, que não doava nada além de 0.5% de todo e qualquer lucro que tivesse para as ONGs (inclusive chegou a gravar um CD com vários artistas cuja renda ela disse que iria para ONGs, mas apenas 1 ou 2% foram destinados com esse fim, o resto ficou tudo para ela); é uma mulher que vende um programa odioso em cima do sofrimento de animais, um verdadeiro CIRCO, coisa que ela tanto critica. Não satisfeita em ser um exemplo oculto de crueldade, Luísa Mel ainda faz campanhas a favor do vegetarianismo, contra o uso de animais em pesquisas científicas, e toda sorte de asneiras as quais somos submetidos toda vez que ouvimos falar nos ditos "protetores dos animais". Luísa Mel é, sem dúvida nenhuma, a "quase-celebridade" mais odiosa do Brasil.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O COLÉGIO EM QUE EU CRESCI PT.2

Bom, continuando a postagem de hoje de manhã, conforme prometido, falarei sobre o "Dia dos Terceiros", o Ritual de Passagem do Colégio Santista.

Um detalhe curioso sobre o Dia é que ele não é mencionado em NENHUM momento, durante o ano todo. Isso acaba fazendo com que a sexta-série SEMPRE seja pega de surpresa. O Dia é como um tabu - não é permitido falar nele, na esperança de que talvez os Terceiros Colegiais simplesmente se esqueçam e não façam. Nice Try, Dumbasses. Não tem como se esquecer do ÚLTIMO DIA DE AULA DO TERCEIRO COLEGIAL.

Eu infelizmente não participei do Dia do meu ano - como dito anteriormente, eu saí do Santista no final do 2o. Colegial - mas explodi um buraco na parede do banheiro do Objetivo em honra ao Dia.

Vou começar explicando o Dia, desde os primórdios.


Também, como dito anteriormente, o Colégio Santista não era originalmente uma escola normal, "mista" - era um internato masculino, administrado pelos Padres Maristas, sede fundada pelo 'glorioso' Marcelino Champagnat (/ironia off). Então, desde os anos 40-50, no último dia de aula dos terceiros colegiais, os padres deixavam de lado sua rigidez disciplinar e permitiam-se um breve momento de descontração, pegavam bolas de futebol e jogavam futebol com os formandos. Era um jogo bem injusto, pois os padres jogavam DE BATINA.

Para equilibrar um pouco as coisas, nos anos 60-70, os formandos começaram a trazer de suas casas vestidos das mães/tias/avós. Padres de batina, formandos de vestido, futebol em pé de igualdade. Mas nos anos 80, os padres pararam de usar batina, e no finalzinho da década de 80 pararam de administrar a escola diretamente, ou seja, não davam mais aula e ÀS VEZES apareciam na direção.


Foto do campo de areia, que só ganhou esse alambrado quando eu estava no 1o. colegial, em 1998.


Outro ângulo do campo de areia.

Mas a tradição do futebol de vestido continuava viva e forte, e ao invés de jogar com os padres, eles jogavam agora entre si, vestidos de mulheres. Com a abertura do colégio TAMBÉM nos anos 80 para as garotas, eventualmente (anos 90) elas começaram a ir para o colégio vestidas de homens (nos anos 90 não era TÃO normal ver mulher de camisa social de botão e gravata ou uniforme de time de futebol).

Maaaass... maaassss, nos anos 90, também começou o processo de imbecilização da raça humana, e a outrora saudável tradição sofreu mais uma metamorfose. Um "gênio" fez a brilhante descoberta: 'É O ÚLTIMO DIA DE AULA!!! A DIREÇÃO NÃO PODE PUNIR NINGUÉM, PORQUE JÁ NOS FORMAMOS!!!'

O futebol agora era o que menos importava. O "Dia dos Terceiros", agora, era o dia em que uma ONDA DE TRAVESTIS DESTRUÍA O COLÉGIO.

A parte legal é que o último dia de aula deles era sempre mais cedo que o nosso e não tinha data fixa para acontecer. Então, num belo dia de novembro, você estava na sua sala, e sentia LITERALMENTE o chão tremer. De repente, nada mais nada menos que 90->120 CARAS ENORMES VESTIDOS DE MULHER PASSAVAM CORRENDO PELA FRENTE DA SUA PORTA, GRITANDO E QUEBRANDO OS VIDROS DAS PORTAS, E TOCANDO BUZINAS DE AR COMPRIMIDO. Rapidamente eles eram guiados para baixo como um rebanho de texugos enraivecidos por professores cobertos de creme de barbear e tinta vermelha.

E o "Dia" finalmente começava.

Os Terceiros Anos, vestidos de mulher, não queriam só jogar bola. Eles queriam pegar os mais novos e rolar na lama do campo de areia, que tinha um PÉSSIMO sistema de drenagem de água (o sistema consistia no Sr. Vadico, o zelador do colégio, com um rôdo, 1x por mês). Numa cidade como Santos, onde se tem 300 dias de chuva / ano, imagine a eficácia. O campo de areia era um mangue, bem no meio do colégio. Não satisfeitos em rolar as pessoas na lama, eventualmente eles DESPIAM as pessoas antes. Quem quisesse participar da "festa" podia sair da classe e ir pro pátio, mas os inspetores de corredor ficavam nas portas e não permitiam a entrada de ninguém de volta para dentro. Sair para o pátio era um sinal de masculinidade, e não ser pêgo por eles, um sinal de virilidade absoluto.

No "Dia" você tinha algumas opções:

1- Ficar na classe: A opção dos bundas-moles, eu fiquei na classe na 7a. série por pura preguiça. Dentro das classes, atrás de seguras barricadas feitas com carteiras, eles não podiam pegar você (embora, às vezes, tentassem com bastante afinco, dando cabeçadas na porta).

2- Sair da classe, mas não ir pro pátio: Era seguro, mas às vezes eles subiam por alguma escada randômica do colégio (duas delas não tinham porta nem vigilância dos inspetores) e pegavam alguém pelos corredores. Fugir para os corredores era minha "trademark" para escapar dos Terceiros - subindo pelas mesmas portas que eles usavam, eu subia e descia pelas escadas, eventualmente despistando eles.

3- Sair pro pátio, e procurar um lugar seguro para ver a festa: Um dos grandes desafios era achar um esconderijo bom num lugar que não tem esconderijos bons. Na minha sexta-série, essa foi a opção que eu usei, e consegui um lugar ótimo de dentro de uma das salas de depósito do Ginásio. A tensão era grande quando eles sismavam que tinha alguém se escondendo onde você REALMENTE estava se escondendo, mas após infinitos sucessos críticos, você conseguia ficar imóvel e sem respirar por 20min, e eles iam embora.


Eu, Ronaldo e Peterson estávamos aqui, na Sexta Série.

4- Sair pro pátio e fugir deles por 3 horas seguidas: a opção dos machos viris realmente másculos e de respeito. Eu fugi na 8a., 1o. e 2o. ano.


E com o tempo, a brincadeira foi ficando mais e mais pesada. Extintores de incêndio eram abertos no meio dos corredores, criando um tapete de pó químico que levantava uma verdadeira neblina no corredor inteiro. Quase fui pego no 1o. colegial quando 4 travecos saíram do meio da neblina. Pra minha sorte, minha falta de amor próprio me fez descer 3 andares de escadaria pulando pelos corrimões da escada mais apertada da escola. Desci 3 andares grandes em 10 segundos, me fodi todo e torci um pé, mas consegui me abrigar antes que os 4 malditos me achassem. Haviam algumas regras morais, como não pegar professores, membros da diretoria ou garotas. As regras foram quebradas, uma à uma. Primeiro, uma loira enjoada da série deles foi pêga, deixada de sutiã, e rolada na lama (acredito que tenha sido algum acerto de contas). Depois, o prof. Hiran foi pêgo e rolado na lama, e pediu demissão, pois se sentiu humilhado perante suas filhas.

No meu 1o. Colegial, assume a direção uma mulher chamada Neusa, que seria a ruína administrativa do Colégio. Ela foi a responsável pela demissão da minha mãe por motivos pessoais (uma discussão que as duas tiveram), e teve a moral de demitir o prof. Adilson (um cara que deu só 28 anos da vida dele pelo colégio, um cara que vivia e respirava o colégio) na noite de natal, mesma noite em que o velho morreu de ataque cardíaco. E não, não foi coincidência.

A 8a. série do meu irmão, no Santista, também teve um evento marcante, no "Dia". A turma do meu irmão tinha uma notória quantidade de rixas com o pessoal do 3o. ano, e muitos deles tinham irmãos na 8a. série. E para o azar da turma do meu irmão, o "Dia" começou enquanto eles ensaiavam a formatura do 1o. grau no Ginásio. Eles começaram enjaulados, péssimo começo.

Os terceiros fizeram uma fila gigantesca saindo da porta do ginásio, que percorria todo o espaço embaixo do ginásio, passava entre pilastras, fazia curvas e voltas, e seguia para os campos. Todos os formandos estavam munidos de bexigas cheias de água ou urina. Eles começaram a cobrar resgate, como terroristas - cada 'vítima' escolhida à dedo valia tantas 'cabeças'. Com 120 alunos presos dentro de uma gaiola com 6 professores, assim que pediram, por exemplo, o João Paulo, irmão do Alexandre (formando), meu irmão foi um dos primeiros que empurrou o moleque pra fora. João Paulo valeu 10 "cabeças". Outros caras valiam 5, 10, e até 20 cabeças pelo viadinho da turma. Todos sumariamente entregues, em bandeja de prata, para o abate. E quem saísse da fila ou tentasse alguma gracinha ganhava uma bexiga de mijo, assim como foi com o "batoré", amigo do meu irmão, que não quis passar embaixo de uma das pilastras sei-lá-eu-pq e levou uma no cangote.

Com um histórico marcante de 4 anos de pátio e só um de sala, e sem nunca ter sido pêgo embora tenha ficado por 3x no 'bico do corvo' e ter um peso bem alto para minha estatura, eu encerrei minha participação no Colégio Santista como um macho de verdade.

=)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O COLÉGIO EM QUE CRESCI

Gostaria de trazer até o paciente leitor fragmentos de minha infância, dessa vez. Que não foi uma infância triste, mas não foi a infância perfeita, também. Todos nós passamos por provações, testes, reprovações, etc... mas também, a história de cada um de nós é única, e eu gostaria de compartilhar um pouco da minha, hoje.

Aos 4 anos, fui matriculado no Colégio Santista (atual Colégio Marista de Santos), um dos colégios particulares mais caros da baixada, na época. Minha mãe ainda comenta (ou melhor, esfrega na minha cara) de como tinha fila de espera pra matrícula, porque o colégio, quando eu entrei, estava com 3600 alunos na fila. Hoje, o pobre titã de Santos conta apenas com 700 alunos, se chegar a isso tudo. Mas nos tempos de ouro... aaahhh tempo bom, não volta mais... saudades de outros tempos iguais (como já dizia o cara do bumbo, da praça é nossa*).

*Aliás, a falência do humor brasileiro será o próximo post a ser tratado aqui.

No Colégio Santista, quando eu entrei, tudo era um mar de rosas. Claro que não nas primeiras aulas, onde você tem que ficar longe da sua casa por 5 ou 6 horas por dia, junto com um monte de gente que você não conhece. Eu sempre fui meio introspectivo, ainda por cima, o que não ajudava muito a fazer amigos, mas em geral eu sou - e sempre fui - um 'chato simpático', aquele cara que é meio chato mas é difícil não ir com a cara dele. =) Com isso, acabei fazendo amizade com algumas pessoas que me acompanharam até os últimos dias do segundo colegial (quando infelizmente acabei trocando de colégio). Entre elas, destacam-se Ronaldo e Delson. As aulas resumiam-se a atividades de Jardim II (ou seja, aprender a fazer letras e números, pintura livre, desenho livre toda aula, e sexta-feira era sempre um dia mágico - o DIA DO BRINQUEDO, onde cada um trazia um brinquedo de casa para brincar o dia todo @.@)

Durante o recreio, tudo também era o paraíso - você podia brincar de pega-pega, esconde-esconde, e dificilmente acontecia algum problema mais sério do que um ralado no joelho. Fora que 1x por semana, a prof. ainda levava a gente no parquinho do colégio. Bons tempos, agora o parquinho nem existe mais. =/

Você passa pra Pré-Escola, e ainda não existem problemas. Agora, com a vantagem de você poder de vez em quando passar uma rasteira em um baixinho, que nem faziam de vez em quando com você. Sua cadeira tem uma simpática sacola azul com zíper nas costas, onde você guarda todo seu material, como massinha de modelar e tinta guache. Sextas-feiras ainda eram dia de brinquedo, e os recreios continuavam sagrados.


E aí, você cai no inferno - a primeira série.

PRIMEIRA SÉRIE:
Professora: ÂNGELA
Características: Loira de 1.80m, durona, não fazia questão de ser agradável.
BENEFÍCIOS: Absolutamente nenhum.
MALEFÍCIOS: Ser MUITO zoado pela galera da Segunda, ser a escória da hierarquia, e tudo que isso implica, desde roubo de lanches a levar surras de qualquer um.

Você lembra dos caras que passavam rapa em você? Pois é, eles tão com saudades. Só que agora eles estão na segunda série, e passaram o ano todo sendo zoados pelos caras que passavam rapa neles. Agora eles querem descontar em alguém, e você e seus amigos estão lá para isso. Na época, minha turma era Delson, Ronaldo, Carlos Rigueral, Guilherme Henrique, André, Matheus, Thiago Williams, Rafael Santa-Cruz, Tadeu Pinto e mais alguns, mas esses são os nomes que eu me lembro de imediato. Minha turma MESMO eram Delson, Ronaldo e Matheus - esse último tinha um senso de justiceiro e tomou para si a tarefa de quebrar os caras das séries superiores que agrediam a nós. Coitado, brigava bem, mas vivia se fodendo.

No recreio, você descobre que é tipo um 'código de honra' não mexer com os pivetes da pré-escola e dos jardins. É covardia. E principalmente, há uma espécie de rígida hierarquia no colégio inteiro - você pode reagir a uma agressão de um aluno de série superior, mas você nunca pode zoar um 'de primeira' - se você quer zoar alguém, zoe alguém do seu 'ranking' ou de um ranking inferior. Nunca um superior, a não ser que ele tenha começado. E ainda assim, respostas mal-educadas para provocações eram geralmente respondidas com socos, então sempre era uma má idéia reagir.

Ir para a direção chorar as pitangas era sinal de fraqueza. A direção era composta de 3 setores - o Prof. Adilson, que dava sermões infinitos; a dra. Sandra, que chamava seus pais; e a temível prof. Lílian, que dava O ESPORRO ÉPICO DE SUA VIDA. Como eu era filho de professor, pra mim, se a diretoria soubesse de qualquer merda que eu havia aprontado, eu ganhava os 3 diretores de brinde, na forma da minha mãe: o ESPORRO ÉPICO INTERMINÁVEL VINDO DOS SEUS PAIS - QUE JÁ ESTAVAM NA ESCOLA ANYWAYS.

Mas, à duras penas, você se esforça, aprende a tabuada do 0 ao 9, aprende coisas simples de gramática, e finalmente você chega à 2a. série, e tem a chance de se vingar do que fizeram com você na pivetada, o que é muito bom e fortalece o círculo vicioso da hierarquia masculina do santista. Masculina, sim, porque o Colégio era uma escola interna de garotos, portanto haviam 40 homens para cada 5 garotas nas classes, literalmente.

E na 1a. série foi quando eu conheci a Marcela Ávila ("Marcelinha"), que foi um dos grandes amores da minha vida (e que nunca ficou sabendo do que eu sentia por ela).

SEGUNDA SÉRIE:
Professora: Elizette
Características: Coroa do interior do estado, era a melhor professora das segundas séries. E com certeza, NÃO era a prof. Míriam, vulgo 'A LOUCA'.
BENEFÍCIOS: Zoar a galera da 1a. Série
MALEFÍCIOS: As professoras começam a exigir cadernos organizados, o que pra mim era um pesadelo.

Na segunda série você finalmente começa a zoar as pessoas que vieram do pré, porque agora você tem os macetes de como zoá-las - tudo que faziam com você, você faz com elas =) Os recreios tornam-se mais interessantes, à medida que você ganha um pouco de status. Você agora tem como participar dos 'ringues', que eram brigas organizadas em alguns locais escondidos da escola, como atrás da sala dos espelhos de educação física. Eu geralmente ia lá mais pra assistir, porque se você fosse para brigar, das duas uma: ou você ganhava e ganhava status, só pra ser desafiado por alguém depois e se foder, ou você perdia e perdia status. Entre perder agora ou perder depois, eu preferia só assistir. =)

TERCEIRA SÉRIE:
Professora: Beth
Características: Literalmente, uma BEATA. Daquelas bem magricelas e totalmente temerosas de Deus, era Freira Carmelita mas não aguentou o tranco. Tinha um fascínio especial por mim, e queria a todo custo me foder em tudo.
BENEFÍCIOS: Zoar a galera da 1a. Série e da 2a. Série.
MALEFÍCIOS: Professora Beth era o diabo disfarçado.

A terceira série, pra mim, foi uma série até que boa. Eu concorri - e GANHEI - o título de representante de classe, o que me fazia ficar lá na frente da fila no final do recreio. Ah sim, nessa época, no Santista, depois de cada recreio todas as séries se reuníam e formavam filas entre as pilastras, no andar térreo do colégio, ou no pátio de areia. às segundas, cantava-se o Hino Nacional; às quartas o Hino da Independência; e às Sextas, o Hino do Colégio. Educação Moral e Cívica FTW. Ser o representante também me deixava imune à zoações da minha própria classe, porque eu tinha carta branca para denunciar qualquer um à professora. Mas nem tudo é perfeito, e a professora era essa vadia chamada BETH, como eu já disse anteriormente, que aparentemente fazia questão de transformar minha vida num inferno. Era daquelas pessoas que só de chegar perto já faz você se sentir mal, tinha dentes horrorosos compatíveis com o hálito e o cabelo era quase igual ao do Cauby Peixoto.



QUARTA SÉRIE:
Professora: Lizette
Características: Uma senhora gordinha bem gente-fina que fazia questão de tentar nos preparar para os desafios de outro mundo que era a Quinta Série. Isso incluía roleplay de mudar de professores no intervalo de aula. ¬¬
BENEFÍCIOS: Zoar a galera da 1a. Série, da 2a. Série e da 3a. Série.
MALEFÍCIOS: Nenhum que eu me lembre.

Na quarta série eu descobri a 'galinha dos ovos de ouro' na matéria que geralmente assombra a nós, nerds - Educação Física. No 2o. Bimestre, tudo que eu tinha que fazer era me inscrever na Quadrilha da Festa Junina, e além de ser liberado em um monte de dias mais cedo pra ensaiar aquela bobagem toda, eu ainda tirava 10 naquele bimestre, o que me garantia praticamente o ano (que precisava de 20 pontos para ser concluído sem recuperação).

Outra coisa interessante foi que a prof. Lizette tomou 'simpatia especial' com um aluno chamado Orlando, tornando-o seu 'queridinho'. Tudo tinha que ser feito nos moldes do Orlando. Pobre garoto. Os benefícios da quarta série envolviam seu corpo ficar cada vez maior (o que não aconteceu muito comigo, como explicarei na 6a. série) e você ganhar cada vez mais status. E se não tivesse alguém da quinta série por perto, você podia até roubar o lanche de algum pivete impunemente >:3

Na quarta série, eu peguei um nojo tamanho de Bolo Pulmann e de Yogurte de Morango que até hoje não consigo consumí-los. Aliás, só de pensar neles já me deu enjôo. Como eu não era muito cuidadoso, o bolo pulmann se desintegrava durante o dia, dentro da mochila, consequentemente me deixando sem lanche consistente. E o yogurte não era ruim, na verdade o sabor de banana era até que bom, mas todo santo dia é de matar qualquer um. Minha mãe, crente que eu adorava o dito padrão de lanche, mandava bolo pulmann e yogurte de morango todo santo dia.

QUINTA SÉRIE:
Professora: Não tinha um padrão, a partir da quinta série, elas se alternavam.
Professora Mais Marcante (negativamente): Heloísa (matemática)
Professor Mais Marcante (positivamente): Wilson (geografia)
BENEFÍCIOS: Topo da cadeia alimentar do colégio, pelo menos durante a tarde.
MALEFÍCIOS: Absolutamente nenhum.

Ahh... o pináculo da evolução humana. Eu, com minha poderosa estatura de 1.30m e meus 40-50kg, era tratado como um rei pelos que vinham abaixo. Entre os meus, óbvio, eu era só mais um. Mas entre a pivetada... Eu era um 'aluno da quinta'. 8D

Como dito acima, o professor mais marcante (positivamente) foi o Wilson "batera", de Geografia. Um senhor muito 'cuca fresca', digamos, que conseguia desenhar o mapa do Brasil perfeitamente, cada reentrância do território nacional, de cabeça, SEMPRE igual. O professor Wilson também tocava bateria em bandas de Jazz à noite.

A professora mais negativamente marcante foi a Heloísa "dragão verde". Se a mãe do Juan é o dragão vermelho e a tia dele o dragão azul, essa com certeza deve ser parente das duas. Matemática tornou-se a partir da 5a. série a pedra no meu sapato.

Na quinta série, você se torna um monstro, uma lenda no colégio. Você pode zoar quem quiser (claro, longe da diretoria), pode pegar lanche, sempre escolhe as bolas primeiro, sempre escolhe as quadras primeiro... você tem a última palavra em qualquer discussão, podendo inclusive se meter na briga entre os pivetes para apartá-las, resolvê-las ou piorá-las... 8D

Mas logo que você termina a quinta série, você volta para o inferno.

SEXTA SÉRIE:
Professora Mais Marcante (negativamente): Rita (matemática)
Professor Mais Marcante (positivamente): Wilson (geografia)
BENEFÍCIOS: ABSOLUTAMENTE NENHUM.
MALEFÍCIOS: ABSOLUTAMENTE TODOS.

E você volta a ser ralé. Mas agora, você é ralé tendo provado o gosto dao 'topo', o gosto da glória, então ser ralé agora é infinitamente pior que ser ralé lá na 1a. série. Para melhorar a situação, eu acabei caindo na sexta "D", e todos meus amigos, na sexta "A". Foi um ano horrível socialmente, principalmente depois que meu melhor amigo na época, o Ronaldo, conheceu e fez amizade com um cara chamado Peterson (irmão de um gayzinho chamado Patrick), que também tinha uma queda pela "marcelinha", mas diferente de mim, chegou nela e se declarou, levando um NÃO épico - o que faz eu me perguntar, será que se eu tivesse me declarado, teria levado um NÃO épico também, ou será que ela negou ele estando a fim de mim? =/ Bom, seja o que for, é leite derramado, sêco e azedo.

Se a professora Heloísa era o dragão verde, a professora Rita era o Senhor das Profundezas. Mulher mais amarga e mal-amada que eu já conheci. Além disso, ela me deixou de recuperação final por 0.1 ponto (4.9), com um desmerecido MEIO no terceiro bimestre (e ainda assim, nos outros 3 bimestres, eu consegui somar 19.4 pontos ¬¬). Ou seja, além de apanhar pra caralho, ainda tive que ficar estudando que nem um infeliz em dezembro, até fazer a porra da prova onde eu tirei 9.5 ¬¬

Outra coisa ÚNICA dessa professora foi a genial idéia de passar 'dever para as férias' - a presença de duas palavras tão antagônicas numa mesma frase é tão incoerente quanto o nome do quiosque onde eu estou trabalhando, SABOR & SAÚDE. Sabor implica em coisas sintéticas e cancerígenas, ou coisas gordurosas e infartantes. E não foi uma liçãozinha para casa, não. Foi uma lista de exercícios de matemática, os bons e velhos 'problemas'... só CENTO E QUARENTA E SEIS problemas. Desde a sexta-série que eu não faço NENHUM 'dever de casa', e prolongo ao máximo fazer todo e qualquer tipo de trabalho para a nota. Promessa pessoal, foi o cúmulo do abuso. A última que eu soube dessa vaca louca foi que ela tinha ido para Maceió, encontrado um velho rico e se casado com ele. No mínimo, deve ter feito café coado na calcinha para o coitado, para depois envenená-lo com pó de giz, tirado debaixo de suas unhas cheias de fungos.

Na sexta série, os problemas da 2a. série são multiplicados - porque agora o pessoal que estava na 2a. série está na 7a., e estão SECOS pra enxer o saco de alguém. Durante a 6a. série, com meus poderosos 1.32m de altura e meus atléticos 62.5kg de peso, eu era literalmente uma presa fácil, um leitão gordo correndo em meio à leopardos famintos. E ainda por cima você tem que acordar cedo - mas não é 'aceitavelmente cedo', como na maioria dos colégios de santos. Não... não o tradicionalíssimo COLÉGIO SANTISTA. Lá, o sinal de entrar na classe soava CINCO PARA AS SETE da manhã, e o da última aula, MEIO-DIA E VINTE. Seu recreio é perdido em meio à livros e gibis da biblioteca, se escondendo de perseguidores de outras séries procurando presas fáceis, ou entocado em algum canto do colégio, longe da vista dos 'caçadores de nerds'. A maioria dos meus amigos acabou fazendo amizades novas, me deixando apenas com o Ronaldo e o tal do Peterson de amigos.

SÉTIMA SÉRIE:
Professora Mais Marcante (negativamente): Yara (geografia)
Professor Mais Marcante (positivamente): Catarina (português)
BENEFÍCIOS: Um pouco mais de prestígio, mas a coisa ainda tá feia.
MALEFÍCIOS: Ser zoado pela galera da 8a. série, brigas direto com todo mundo, e não tem mais quadrilha em junho.

Na sétima série, você desconta o que fizeram com você durante todo o ano passado, mas agora eu tinha dois problemas: a "Quadrilha Caipira" só permite inscrições até a Sexta Série, e o prof. Wilson não dá mais aulas de Geografia - ao invés dele, temos agora a prof. Yara, que tinha um mal-hálito digno de quem comia cadáveres humanos no café da manhã, com um saudável copo de Chorume (aquela água fétida que fica empoçada nos lixões). O primeiro problema obrigava-me a me mexer durante as 2 aulas semanais de educação física. O segundo, me fazia partir sempre do "5" na média mensal de geografia, porque os outros 5 dependiam de mapas para serem feitos em casa, o que francamente, é um método PORQUÍSSIMO de didática, porque eu não me lembro de nada que eu fiz nos POUCOS mapas que produzi. Em geral, eu levava a folha de papel vegetal para a escola, e copiava o mapa do Ronaldo. Se ele fosse bem, eu ia bem, se ele fosse mal, eu me fodia também. Assim era a vida.

Para salvar, tinha a prof. Catarina, de Português, que apesar de ter uma verruga imensa no meio da testa, era super gente fina, e havia entrado na escola aquele ano para substituir uma outra professora, a Angélica, que havia dado aula para nós na 5a. e 6a. série mas entrou em licensa maternidade. Só saímos no lucro, e até hoje me pergunto quem foi o São Jorge que engravidou a prof. Angélica, uma baixinha irritadiça e nada atraente.

Um ponto bom da 7a. série foi que ela marcou minha reentrada na minha antiga roda de amigos, que agora contava com novos integrantes, e um velho integrante que havia voltado a participar de nossas salas, e permaneceríamos juntos até o 2o. colegial: Delson "dentuço", Ronaldo "esqueleto", Lucas "galego", Leandro "dolly", Daniel Plaza, Rafael Corrêa, Vitor Mariani, Bernard, Caio, Antônio "fofão", Fabiano, Carla Valéria, Marcela Ávila e Thiago Pereira (e, a partir da 8a. série, infelizmente, Allan Rudy e felizmente Renato). Matheus, com quem eu ainda mantinha um pouco de contato (porque havia feito amizades com todos aqueles que acabavam me 'caçando' nos recreios, e preveniu muitas das surras que eu devia ter levado) desaparece do colégio, e ficamos sabendo depois que ele havia se mudado do nada para São Paulo. Aparentemente sua mãe chegou em casa um dia e viu só o recado dele na porta do quarto, dizendo que tinha ido morar com o pai. Foi um puta baque na vida da Dona Goreth, que nunca conseguiu se recuperar direito.

OITAVA SÉRIE:
Professora Mais Marcante (negativamente): Alice (matemática)
Professor Mais Marcante (positivamente): Moacyr (história)
BENEFÍCIOS: Topo da cadeia alimentar do colégio, aparentemente.
MALEFÍCIOS: Absolutamente nenhum.

Curiosamente, o topo da evolução de manhã aparentava ser a 8a. série, porque os alunos do Colegial não mexiam com você. Eles ainda pegavam bola antes, escolhiam quadra, etc. Mas nada de brigas. O que era bom, com certeza. Mas alguma coisa cheirava mal nessa história. Maaaas, oitava série, hora de aproveitar! Roubar lanches, etc. Claro que a coisa fica feia de vez em quando, por exemplo, quebraram meu nariz em uma briga na escola, dentro da sala de aula. O segundo soco do cara pegou no meu óculos, que cortou minha pálpebra e por alguns milímetros não me deixa cego do olho direito. Na oitava série, tínhamos um pouco mais de liberdade para aprontar, mas o fato de eu e a maioria dos meus amigos termos caído separados em 2 grupos não foi muito bom (eu, ronaldo, allan, rafael correa, vitor, e renato, caímos na 8a. A, enquanto o resto caiu na 8a. B).

E a 8a. A era a classe dos "marginais" também - David, Leonardo Torres, Gustavo "Pescoço", Pedro Paulo, Allan Souza, todo mundo que quebrava nossa cara e era da mesma série estavam reunidos na mesma sala que nós. Mas em geral eles pregavam mais peças neles próprios do que em nós, então estava tudo bom. As aulas de Ed. Física eram às 7 da matina de terças e quintas, ou seja, estava sempre um frio odioso (ôôô escola fria) e a maioria das aulas era no ginásio, o que me dava chance de ir pra trás do palco, achar um canto abrigado do vento e dormir a aula toda. Quando não, dava pra ficar deitado na escada do palco tentando ver a cor da calcinha da Fabíola (uma loirinha MUITO GATA que era da nossa classe).

Bons tempos...

O prof. Moacyr foi um dos caras que davam a vida pelo Colégio. Claro que ele tinha seus defeitos, como por exemplo, sair da sala para fumar, mas em geral, era um ótimo professor, ótima pessoa, e sua didática dos "cabeçudinhos" fez com que eu me lembre até hoje de passagens de história que não seriam lembradas com facilidade de outro jeito (ahhh napoleão era um cabeçudinho safado!!!). Já a prof. Alice, de matemática e desenho geométrico, me fez frequentar uma maldita escola de reforço ¬¬ só pra dormir na mesa na última prova do ano, e todo mundo tirar 10 =__=

Mas e o pessoal do colegial? Porquê eles não estavam te enxendo o saco?

A resposta, eventualmente, chega.

PRIMEIRO COLEGIAL:
Professora Mais Marcante (negativamente): Laura (português)
Professor Mais Marcante (positivamente): Batatinha (matemática)
BENEFÍCIOS: Nenhum.
MALEFÍCIOS: Brigas começam a ficar realmente perigosas, 2o. e 3o. colegial no seu encalço, aulas de manhã e à tarde, educação física não é mais no ginásio (só quando chove).

E então é explicado o porquê ninguém dos colegiais zoava você. Eles estavam ocupados demais disputando a liderança do 'segundo grau' - aqui a briga é desenfreada e o pau come solto todo dia. Tem 'ringues' em lugares bem mais ousados, brigas no meio do pátio não são incomuns, e muitos deles tem uma espécie de 'carta branca' da diretoria, depois que os pais são chamados e demonstram descaso com os filhos, deixando a diretoria de mãos atadas quanto à punição. No 1o. colegial, eu tive aula com a minha tia Walmíria, de Física (não Educação Física, só Física), que já entrou no 1o. dia falando "pra quem não sabe, eu sou tia do Ivo, que é filho da prof. Walkíria do 2o. colegial, e a Roberta é filha do prof. Hiran, de Biologia." arruinando toda e qualquer chance de se manter 'invisível'. A maioria dos imbecis da minha classe que já demonstravam sinais de "baladisse" acreditavam veementemente que eu roubava provas (física pra mim nunca foi problema, visto que é uma matéria exata de raciocínio extremamente linear; e na época, eu ainda tinha memória boa para decorar coisas) para fazer meu desempenho exemplar de 10/10/7.5/10. ¬¬

No 1o. colegial, conhecemos Gislaine, a garota que ria o tempo todo, que foi 'veterana' da minha turma na faculdade (demorei 1 ano a mais para entrar na faculdade porque tentei entrar na USP 2x seguidas). Também fiz o 1o. colegial na mesma classe que a Marcelinha, que sentava atrás de mim de vez em quando, mas foi afastada pelo asqueroso Allan Rudy, que a essa altura eu já não suportava mais - um cara burro, que só conseguia falar de futebol e de aviões de guerra, que fazia REDAÇÕES sobre esses dois temas - JUNTOS - e não usava NENHUM tipo de pontuação em suas redações, que eram um grande parágrafo mal-escrito. Eu tentava me afastar desse desgraçado, mas ele me seguia como um chiclete seco ao sol - irremovível, e andar com ele me taxava de ser como ele. Allan Rudy só conseguiu sair da 8a/1o./2o. ano porque fazia TODAS as provas atrás de mim, colando tudo que podia.

No 2o. colegial, eu comecei a fazer minhas provas a lápis, e depois passar as respostas certas à caneta, na esperança de que ele copiasse as respostas erradas, e em provas de alternativa, a fazer as alternativas ENORMES do lado da resposta, para que os profs. me colocassem em outro lugar da classe, o que acabou não acontecendo. =/ Depois de um tempo, ao invés do Allan sentar pessoalmente atrás de mim, sentava o Ronaldo, que eu não tinha coragem de f*der fazendo as respostas erradas, mas ele passava todas para o Allan do mesmo jeito, que passava as respostas para a gislaine, que passava para a Camilla, que passava para a Renata, que passava para o Rafael Agapito, ou seja, minha fileira inteira vinha com a mesma nota que eu, SEMPRE.

A MÃE do desgraçado do Allan vinha me pedir para que eu passasse cola para ele - mas ainda assim, acreditava que o filho era um gênio. Vê se pode... ¬¬

Conclusão - andando com esse FILHO DA PUTA, escandaloso e chato feito o inferno, do meu lado, e com um papo nerd, eventualmente exauri toda chance que eu viesse ter tido algum dia com a tal da marcelinha, mesmo ela sendo provavelmente tão ou mais nerd que eu. Perdi uma boa chance de conseguir uma 'nerdesposa', artigo raro no mercado. Mas principalmente, perdi a chance de passar mais tempo e conversar sobre assuntos mais interessantes do que MORTAL KOMBAT, FUTEBOL (que eu nem gostava) e AVIÕES DE CAÇA com gente com quem eu realmente me importava - meus amigos e amigas de verdade.

Finalmente, para encerrar, porque já está ficando longo demais até pra mim...

SEGUNDO COLEGIAL:
Professora Mais Marcante (negativamente): Sandrinha (química)
Professor Mais Marcante (positivamente): Enize (Português) e Anacleto (matemática)
BENEFÍCIOS: Nenhum.
MALEFÍCIOS: Brigas começam a ficar realmente perigosas, 2o. e 3o. colegial no seu encalço, aulas de manhã e à tarde, educação física não é mais no ginásio (só quando chove).

Ah, professora Enize, vulgo "Pombinha". Uma baixinha apaixonada pelo Romantismo, que tinha alergia às redações do Allan Rudy. Como eu me divertia com ela... =) Em compensação, no segundo colegial, tinha a Sandrinha, que era simplesmente ODIÁVEL como professora, dotada da voz mais insuportável que um ser humano poderia ter. Outra professora que marcou bem o 2o. colegial foi a de laboratório de biologia, cujo nome não me recordo, mas era uma coroa enxuta gostosona. E claro, como poderia esquecer do professor Anacleto, de matemática, que tinha Mal de Parkinson, mas conseguia desenhar triângulos retângulos na lousa sem auxílio de réguas.

Eu não sabia, mas meus dias no Santista estavam contados. Depois de uma discussão, no final do ano, com uma das coordenadoras, minha mãe foi demitida do colégio. Perdi a bolsa de estudos que me acompanhava desde sempre lá dentro. No direito da lei, eu poderia ficar no colégio com a bolsa até a conclusão do curso, mas os Padres do Arquidiocesano não permitiram, passando por cima da determinação do MEC.

O segundo ano foi um bom ano, alguns 'Extras' foram adicionados à nossa turma, como Leandro "morto" e o "Xicão". Jogavam basquete-mole com a gente na educação física. Jaderzinho sofre seu segundo acidente sério aqui (o primeiro foi na 8a. série, quando um foguete para feira de ciências explodiu e deixou vários fragmentos de metal dentro dele, um deles no meio da garganta). Aparentemente Jader estava patinando pela rua, quando resolveu se segurar em uma Kombi para ir mais rápido. Perdeu o equilíbrio e foi atropelado, quebrando as duas pernas e um braço.

O segundo ano não teve muita coisa em especial. Foi mais o ano da decepção, quando você toma como meta da sua vida dizer aquilo que já deveria ter dito há quase 10 anos atrás para uma certa pessoa e resolve que ANO QUE VEM VOCÊ VAI VIRAR HOMEM E DIZER!!! Mas aí o destino te dá um pedala e você vai parar no Objetivo ao invés de continuar no Santista.

Outra coisa legal do 2o. colegial foi ser ameaçado com uma arma pelo Leonardo Torres. Coisas assim você nunca esquece. O curioso é que esse cara me ameaçava, me batia, eu batia nele depois, mas como éramos os 2 dotados de boa memória e inteligência suficiente, geralmente fazíamos as provas em dupla juntos (o allan fazia questão de fazer com o ronaldo, coitado) e acabávamos indo muito bem. Era como quando o vilão e o herói da revista precisam trabalhar juntos para um bem maior - juntos eles são quase invencíveis, mas o modus operandi dos dois é diferente demais para que permaneçam juntos por mais de 30 minutos.
As poucas provas que eu fiz com o Allan de dupla, fui mal de propósito; e as poucas que eu fiz com o Ronaldo valeram a pena mesmo indo um pouco mal também só pra ver a cara de CU que o Allan fazia. Heheheh...

Bom, amanhã eu continuo essa história. Ainda falta falar sobre o Ritual de Passagem do Colégio Santista...
o DIA DOS TERCEIROS.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

AS AVENTURAS DE UM GARÇOM DE QUIOSQUE

Bom, após uma série de ameaças do meu pai, eu resolvi sair de casa e pedir emprego em cada um dos quiosques da praia, para arranjar um emprego - mesmo que fosse temporário, só pela temporada. Comecei pela barraquinha de côco verde gelado no emissário e fui andando, perguntando em cada quiosque, até que no canal 2 finalmente tive sorte e consegui emprego em um quiosque que abriu faz só 2 meses, e que estavam tentando montar uma equipe decente - sem muita sorte até o momento.

O pagamento não é bom - 15 reais a hora, em turnos de 12 horas. Isso dá 1.25 reais / hora, menos que a hora-aula de professores do Estado. A caixinha também não tem sido muito generosa. Mas com sorte, neste reveillón, vou ganhar uma graninha extra com comissão. ^^''

Porém, não é sobre isso que eu resolvi escrever. Como todo mundo, quando você começa em um emprego novo, você descobre um mundo novo. Quando comecei a trabalhar na frente de trabalho não foi diferente, e talvez eu faça um post reunindo as coisas absurdas que vi por lá. Mas no quiosque da praia...

1o. - Quiosqueiro não sente o dedão do pé - Eu sabia que ficar de pé, andar, etc. por muito tempo não fazia bem para você. Mas não sinto meu dedão já faz uns 3 ou 4 dias, e quando comentei isso com meus patrões, eles disseram que também não sentem os deles. Será uma constante? Farei uma pesquisa depois, com outros funcionários de quiosque, para descobrir.

2o. - Banheiro público, o ninho do crack - Nada mais relaxante que ir num banheiro público todo mijado e cagado e ainda por cima ter que respirar aquela marofa de crack e ouvir o cara do banheiro ao lado fazendo barulho de latinha amassando (cachimbo improvisado em lata de coca-cola).

3o. - O primeiro enquadro a gente nunca esquece - Eu ainda não levei nenhum, mas pelo que ando percebendo não vai demorar muito até acontecer. Volta e meia, rola alguma denúncia de tráfico de drogas, e a polícia dá enquadro em todo mundo na área - seja mendigo, funcionário de quiosque e até mesmo clientes, o que não é muito bom pros negócios. Fora que a polícia adora parar os carros na beirada do canal, perto do cavalete que divide a entrada da saída da rua anexa ao canal 2. Ou seja, cavalete + polícia = encrenca, na cabeça dos clientes. E o movimento vai pro espaço.

4o. - O traficante é seu amigo - Em 7 dias já conheci uns 3 traficantes. Passam, cumprimentam, eu ofereço uma cerveja, eles dizem que voltam depois. Basicamente, é isso.

5o. - Tem sempre alguém mais fodido - O garçom do quiosque ao lado é um tal de Jefferson, que aparentemente veio pra santos porque era traficante em são paulo e acabou sendo jurado de morte por lá. Um amigo meu que frequentava o quiosque do 'jeff' disse que uns tempos atrás ele sumiu e tava todo mundo no quiosque dele dizendo que ele tinha morrido, mas ele está lá hoje.

6o. - Pra fumar, beber e cheirar não tem idade mínima - o atendente do quiosque de trás é um tal de Cássio. 15 anos, fuma bebe, cheira pó e tem epilepsia. Vive tendo ataques epiléticos convenientes quando leva enquadro - o que acontece com frequência. Mora nos quiosques, e aparentemente não dorme.

7o. - Barata no quiosque dos outros é refresco - Nuff'said.

8o. - Metamorfose ambulante - minha saliva tem gosto de camarão, meu suor cheira a camarão e estou ficando com cor de camarão. Acho que estou lentamente virando um camarão.

9o. - Nosso quiosque é "do mal" - ontem, umas velhas caducas foram acender velas na árvore que fica bem em frente ao nosso quiosque. Eu discretamente avisei a patroa, que foi tentar convencê-las de que não era certo fazer uma MALDITA MACUMBA na frente do negócio dos outros. Elas disseram que não era macumba, era pra agradecer. O marido da patroa esperou elas irem embora e jogou um balde de água nas velas. As velhas imediatamente voltaram e começaram a causar um puta auê, dizendo que todos no quiosque eram "do mal" - incluindo uma mesa de fregueses. A parte divertida é que se elas soubessem REALMENTE o que estavam fazendo, saberiam que é o ato de acender a vela que conta, e não a vela ficar acesa. ¬¬

10o. - Plano de carreira - Trecho extraído de uma conversa com o Flávio, anteontem, no quiosque:
F: Cara, você tem que arranjar um emprego na sua área! Você tem 7 anos de faculdade, pós graduação...
I: E sou infinitamente melhor como garçom!
F: *se contorcendo de raiva* Porra!!! E daqui a quarenta anos, tu vai estar fazendo o quê? Servindo coca-cola num quiosque?
I: Não, claro que não. Até lá, acho que já vou ter comprado meu próprio quiosque. 8D~

Bom, acho que por enquanto é isso. Hoje às 9 da noite eu volto pra lá, pra aguentar mais clientes impacientes pedindo lanches e porções, e reclamando de alguma coisa, ou pedindo saleiros, ou indo embora antes do lanche sair... =_=''