terça-feira, 27 de maio de 2008

TESTE COM ANIMAIS

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Os testes com animais (ou experimentos com animais) são testes realizados com a utilização de animais a fim de produzir conhecimento científico útil aos seres humanos.

Quando foi criado, recentemente, um tópico com esse título no fórum Furrybrasil, logo teve o primeiro comentário (do BillyMT), que dizia "eu sou a favor de usar presidiários ao invés de animais". Não digo que esperava isso dele, especificamente, mas eu já esperava que alguém falasse isso.

é muito bonito falar que você usaria presidiários ao invés de animais, mas a maioria de vocês nem sabe o PORQUÊ usam animais.


Cientificidade

Os testes em animais são uma das bases científicas para o desenvolvimento de diversos tratamentos a serem utilizados futuramente em humanos, como a elaboração de novas drogas, novos métodos cirúrgicos, vacinas, terapia gênica etc Contudo, nem sempre a analogia entre aspectos anatômicos e fisiológicos é possível, o que leva a uma pesquisa severa para que se decida qual o modelo animal mais indicado para determinada pesquisa. No caso dos humanos, a talidomida acabou se tornando o mais emblemático, por ter causado má formação fetal em milhares de crianças ao redor do mundo, mesmo após os testes em roedores não ter demonstrado indícios de malefícios.



a biomedicina NÃO EXISTIRIA sem testes em animais - e a maioria de nós nem estaria viva se não fosse por ela. organizações como o PETA clamam que a pesquisa com animais é "unscientific" (a palavra nem existe¬¬). mas se ela é "falha", como tivemos todos os avanços que temos hoje?

Talidomida

No final dos anos 1950, época em que o medicamento começou a ser utilizado, os testes realizados em roedores não acusaram problemas, visto que estes metabolizam a droga de uma maneira diferente dos humanos. Mas depois do ocorrido foram realizados testes em outros animais, como primatas e coelhos, que confirmaram as ocorrências de malformações fetais de membros.


Por isso que, atualmente, há um controle muito maior na realização de testes em animais, sendo que eles devem começar com animais de pequeno porte, como pequenos roedores, passando para animais de maior porte, como coelhos e cachorros, para então animais que são mais geneticamente parecidos com os homens, que é o caso dos primatas. Esse caso mostra como é importante que os testes em animais sejam realizados progressivamente, de maneira que se tenha uma segurança antes que sejam testados em seres humanos.


não é só fazer o teste pra ver se o remédio mata na hora - tem que ver se ele tem algum efeito a longo prazo. E o "prazo" de vida de um ser humano é de aprox. 75 anos, em média. agora, o de ratos é de 2 anos, cães vivem aprox. 9 anos e chimpanzés, no máx. 30 anos. Com esses tempos de vida mais curtos, conseguimos ver os efeitos dos medicamentos não só no animal-teste, mas em seus filhos, netos e bisnetos, e também conseguimos saber se um remédio como o tylenol, que até agora era excelente, não vai te matar daqui a 60 anos de insuficiência hepática.


Ética

Existe um severo código de ética que deve ser seguido pelos pesquisadores, para que se garanta o melhor tratamento possível aos animais, evitando que sintam dor e que sejam maltratados. Apesar disso, esse código de ética não está presente na legislação brasileira, devido principalmente ao ativismo de ONGs como o PEA e o PETA que lutam contra a aprovação do projeto de lei que visa estabelecer normas para regulamentação dos testes em animais no Brasil.

Todo projeto de pesquisa, no Brasil, precisa ser enviado a um comitê de ética para que este o aprove. Esses comitês são internos (da própria instituição que realiza a pesquisa), sendo essa instituição a responsável pela fiscalização.

A ausência de uma lei regulamentando os testes em animais é um sério revés, tanto para cientistas como para os cidadãos que são contrários aos testes, aos primeiros devido a possibilidade de se criar leis municipais sem qualquer argumento sólido que proíbam os testes, aos segundos devido a impossibilidade de haver uma fiscalização externa à da instituição que realiza os testes.


E não ache você que a burocracia do Brasil é lenta nesses assuntos. O termo exato é "aleatório". A burocracia do Brasil tem um tempo de processamento de documentos ALEATÓRIO. Da mesma forma que um projeto pode tramitar por ANOS sem ser aprovado, outro pode ser aprovado em menos de 24 horas. E foi o que aconteceu em São Paulo, recentemente. Novamente, os CCZs (Centros de Controle de Zoonoses - "Carrocinhas") estão PROIBIDOS de eutanasiar animais.

Sabe qual o primeiro efeito dessa medida? Não há mais aulas práticas em Faculdades de Medicina Veterinária.

E deixe-me dizer o que vai acontecer daqui a um tempo. Os animais vão se acumular nos CCZs, os gastos da prefeitura com esses animais vão aumentar de forma exponencial, e de repente, não haverá mais como sustentar esse decreto. Ele será revogado (de novo, pois já existiu um decreto desses em 2004).

Resumindo: pra quê um decreto que será revogado daqui 3 anos?

Pras "ONGs" mostrarem que existem. Leia o post anterior.

Vou citar alguns exemplos aqui de coisas que só temos hoje graças à testes com animais.

Vacinas:
Antraz
Catapora
Cólera
Difteria
Gripe
Influenza B
Hepatite A e B
Sarampo
Caxumba
Pólio
Raiva
Rubéola
Varíola
Tétano
Febre amarela

Medicamentos:
Insulina
Penicilina
Estreptomicina
Anti-inflamatórios
Analgésicos
Anticoagulantes
Ciclosporina
Quimioterapia

Implantes:
Marcapassos
Coração artificial
Quadril artificial
Joelho artificial

Procedimentos:
Angioplastia

Transplante de órgãos:
Coração
Rim
Fígado
Córneas

Citando 2 colegas de fórum, Angstrom (que é prof. de Química, se não me engano) e GrayWolf (que está no 4o. ano de Medicina), e claro, eu mesmo (que me formei como Médico Veterinário em 2006)...

"Uma célula boiando em meio de cultura é substancialmente diferente de um organismo superior...¹

...Essa generalização é completamente absurda, e ofensiva para a esmagadora maioria dos cientistas que estão tentando fazer alguma coisa para aumentar a expectativa de vida de todos nós (inclusive dos que, talvez, preferissem morrer de morte natural aos 30 anos...)...²"

-Angstrom, quando BillyMT disse que ¹culturas de células poderiam ser usadas como substitutos para animais em laboratório e ²generalizou que todos os cientistas que fazem pesquisas com animais o fazem para desviar verba dos projetos.

Não existe maneira de testar efeitos sistêmicos de drogas em células isoladas com fidelidade. Um adipócito tem interação com as células beta do pâncreas, que atuam sobre a hipófise, que atua sobre o rim, que atua sobre a medula óssea, interminavelmente. Se tu não sabe a função de uma dessas partes, te garanto que tu não tem base de conhecimento que te dê condições de falar o que tu falou. Existem modelos artificiais que substituíram ALGUNS testes, mas MUITOS ainda dependem exclusivamente da utilização de um organismo funcionante, vivo. ...

...Outro detalhe: Não pense que uma limitação financeira é ganância. Quer um exemplo prático? Existem medicamentos antihipertensivos mais eficientes do que um certo fármaco chamado captopril, que é disponibilizado pelo SUS. No entanto, estes não são disponibilizados. Motivo? O custo gerado para tratar pacientes com este fármaco mais eficaz resultaria em um ótimo tratamento de 100 pacientes, quando poderíamos ter um bom tratamento de 1000 pacientes. Pergunta pros 900 que ficaram de fora se o custo não tem importância pra eles, por favor...

...Mais um detalhe, que tu provavelmente não conhece bem o suficiente: Existem entidades conhecidas como "comitês de bioética". Muitos destes respeitam normas internacionais, e estão buscando constantemente soluções e legislações para adequar o uso de animais de laboratório tendo em vista os princípios do direito à vida e o direito ao não sofrimento. MUITOS destes comitês cobram firmemente uma atitude mais respeitosa das indústrias farmacêutia e estética sobre o uso ADEQUADO e LIMITADO de animais, CERTIFICANDO-SE de prover o máximo de bem-estar e o mínimo de sofrimento ao animal. Por sofrimento, se englobam as questões de stress tanto mental (como o medo) quanto físico (como a dor)...

...Mais um detalhe: se tu tinha tanta certeza que haviam alternativas para o uso de animais, e por isso eles não deveriam ser utilizados, tu acabou eliminando a base que tu teria pra apoiar teu argumento para o uso de presidiários. Procure considerar mais as hipóteses, e ter mais empatia antes de tomar uma posição. Questionar algo que você considera errado é SEMPRE bom, com a condição de que isso seja feito da maneira correta e com conhecimento adequado...

Felixwhite: ...Mas, se acha que tem razão plena, sugiro que deixe de usar medicamentos, pois todos passaram por algum tipo de teste envolvendo animais. Fale comigo daqui a uns anos se você tiver uma doença grave, e creio que aí você terá um ponto de vista diferente."

Graywolf, citando a importância dos testes com animais, interação sobre diferentes tipos celulares num organismo vivo, fundos de pesquisa e tratamento, comitês de bioética, uso de presidiários em pesquisas, e finalmente, criticando um post do FelixWhite que me remete ao caso Pamela Anderson.*

Como vocês podem ver, não somos leigos no assunto. Somos um químico, um quase-graduando em medicina (que vem de família de médicos) e um médico veterinário, três profissões INTIMAMENTE LIGADAS ao uso de animais em laboratório. Enquanto isso, do "outro lado", temos senhoras de 84 anos com princípio de Alzheimer que cuidam de 63 gatos em um apartamento de 1 quarto.

Escolham sabiamente.

[]'s

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